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Lapidação de Octávio Botas em exposição

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“Octávio Botas - A Arte da Lapidação do Vidro” é o título da exposição que está patente no Museu do Vidro, situado no Jardim Stephens, na Marinha Grande, até ao dia 22 de fevereiro.

A mostra, que foi inaugurada no dia 21 de junho de 2014, é organizada pela Câmara Municipal da Marinha Grande. Apresenta um conjunto de obras recentes que incorporam décadas de saber e de talento inato para esta arte do vidro.

Com uma carreira com cerca de 60 anos na arte da lapidação artística do vidro e do cristal, Octávio Botas é hoje um dos mais proeminentes mestres lapidários portugueses.

A exposição pode ser visitada até 22 de fevereiro de 2015, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00.

 

Da lapidação de lustres ao cristal

Octávio Botas Marques, mais conhecido por “Botas”, nasceu em 16 de abril de 1939 na Praia das Paredes da Vitória, concelho de Alcobaça.

Terminada a quarta classe, não podendo continuar a estudar por falta de possibilidades económicas dos seus pais, começou a trabalhar com apenas 11 anos numa pequena oficina que se dedicava à lapidação de pedras, pingentes, colunas e outros elementos para lustres e candeeiros. Trabalhou como lapidário de peças para lustres e candeeiros.

Mais tarde aprendeu a arte da lapidação do vidro utilitário e decorativo. Ao contrário da lapidação das peças para lustres e candeeiros, a lapidação de vidro utilitário e decorativo exige grandes aptidões técnicas e artísticas, na medida em que incorpora uma grande componente decorativa, quer seja figurativa ou abstrata, mas precisa.

Foi aperfeiçoando as técnicas que iria posteriormente utilizar na cristalaria. Depois de passar por várias empresas, foi na ancestral Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, na altura Fábrica-Escola Irmãos Stephens, que adquiriu as maiores mestrias técnicas e artísticas.

Consagrou-se como um dos melhores mestres lapidários da Marinha Grande, realizando obras artísticas de riqueza e beleza extraordinárias, para o mercado nacional e internacional, algumas oferecidas a personalidades que visitaram a fábrica, outras por encomenda.

Além da execução técnica, Octávio Botas criou e aperfeiçoou inúmeros motivos decorativos para lapidação, que ainda hoje utiliza na produção das suas obras.

Na criação deste tipo de motivos é essencial que o desenhador ou designer tenha conhecimentos da técnica da lapidação, já que é necessário entender as suas limitações para conhecer os condicionalismos e as potencialidades que se podem atingir. Esta foi uma das razões porque também trabalhou no aperfeiçoamento de alguns desenhos de lapidação de designers como Maria Helena Matos e Luís Firmino, e na execução das suas criações.

Tal como outros lapidários, Octávio Botas constituiu, desde cedo, uma pequena oficina em casa, onde lapidava nas horas vagas e aos fins-de-semana.

Aos 75 anos de idade Octávio Botas não pára de criar, embora com menos frequência que há uns anos. Para esta exposição criou recentemente um conjunto de peças em torno da temática das alcachofras, combinando elementos decorativos tradicionais, finamente executados, com os mais recentes, tirando partido de forma inigualável, da cor, reflexão da luz e beleza que só o cristal de chumbo pode oferecer.

Esta é, assim, uma exposição da sua obra mais recente, que incorpora décadas de saber e de talento inato para a arte da lapidação.