PASSEIO SOBRE BIODIVERSIDADE DAS DUNAS SENSIBILIZOU PARTICIPANTES PARA OS DESAFIOS DA CONSERVAÇÃO COSTEIRA
Cerca de duas dezenas de participantes marcaram presença no passeio na natureza “Biodiversidade das Dunas da Marinha Grande | Ameaças e Desafios”, promovido pelo Município da Marinha Grande no passado dia 8 de agosto, entre a Praia Velha e São Pedro de Moel, numa iniciativa integrada no programa de Sensibilização Ambiental da Bandeira Azul.
Orientada por Sónia Guerra, bióloga e chefe da Divisão de Ambiente, Alterações Climáticas e Sustentabilidade da Câmara Municipal da Marinha Grande, a atividade permitiu dar a conhecer a riqueza ecológica dos sistemas dunares do concelho, a sua importância para a proteção da linha de costa e os desafios que enfrentam perante as alterações climáticas e a pressão humana.
Ao longo do percurso, os participantes conheceram várias espécies características das dunas e da costa, como o estorno, os cordeirinhos-da-praia, a luzerna-da-praia, a granza-da-praia e diferentes eufórbias, compreendendo o papel essencial da vegetação autóctone na fixação das areias e na proteção dos sistemas dunares perante as condições extremas do litoral.
Um dos destaques da ação foi a observação de raridades botânicas, como a flor-da-saudade e os limónios, espécies endémicas lusitânicas que ocorrem exclusivamente no litoral oeste de Portugal continental.
Os participantes puderam compreender como a arborização das dunas resultou da instalação do ripado móvel do início do séc. XX e contribuiu, ao longo do último século, para travar o avanço do mar e proteger o território.
Um dos temas centrais da ação foi o impacto da tempestade Kristin, que atingiu o concelho em 2026 e provocou alterações profundas na faixa costeira. Foi explicado que os efeitos do fenómeno extremo foram particularmente severos, levando ao recuo do cordão dunar e à transformação significativa de alguns habitats. O impacto foi descrito como avassalador, evidenciando contudo a capacidade regenerativa das espécies autóctones perante fenómenos meteorológicos cada vez mais intensos e frequentes.
Ao longo do percurso foi igualmente reforçada a necessidade de combater espécies invasoras, como o chorão-da-praia, que compete com a flora autóctone e ameaça o equilíbrio ecológico dos sistemas dunares. Neste contexto, foi salientada a importância dos passadiços na proteção da vegetação, evitando o pisoteio e a degradação dos habitats dunares fortemente vulneráveis à ação humana.
Para saber mais: