DISCURSO DO PRESIDENTE DA CÂMARA NAS COMEMORAÇÕES DO 52.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL
"Caras e caros Marinhenses
À meia-noite, quando o tempo parece suspender-se e a história ganha voz, reunimo-nos nesta varanda para celebrar abril — não apenas como memória, mas como compromisso vivo.
Celebramos hoje a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Celebramos a coragem de um povo que ousou ser livre. Celebramos o momento em que Portugal escolheu a democracia, a dignidade e a esperança.
Mas este ano, esta noite, este momento… são diferentes.
Porque celebramos abril depois da tempestade.
A tempestade Kristin não foi apenas vento e chuva. Foi uma prova dura, inesperada e profundamente marcante para o nosso concelho. Atingiu a Marinha Grande, a Vieira de Leiria, a Moita — entrou nas nossas casas, afetou as nossas famílias, destruiu infraestruturas, abalou rotinas e deixou cicatrizes no território e no coração de todos nós.
Espaços públicos foram danificados. Habitações sofreram perdas. Empresas viram o seu trabalho interrompido. E, talvez mais doloroso ainda, vimos o nosso património natural — o Pinhal do Rei — sofrer uma destruição profunda, que nos toca na identidade e na memória coletiva.
Mas, minhas Senhoras e meus Senhores,
Se a tempestade nos mostrou a fragilidade, também revelou — com uma força extraordinária — aquilo que verdadeiramente somos.
E revelou também algo que importa não esquecer: que há momentos que só podem ser plenamente compreendidos por quem os vive no terreno, no tempo da urgência, na proximidade das pessoas e das suas dificuldades.
É nessa vivência direta que se percebe que, em situações de exceção, o essencial não são procedimentos burocráticos, mas a resposta concreta, a presença, a capacidade de agir e de proteger.
Perante a adversidade, a Marinha Grande não hesitou.
Levantou-se.
Levantou-se com milhares de voluntários que, de forma espontânea, solidária e generosa, saíram à rua para ajudar. Pessoas que deixaram o conforto das suas casas para apoiar vizinhos, limpar ruas, distribuir bens, reconstruir o que era possível reconstruir.
Vimos associações mobilizarem-se. Vimos empresas ajudarem. Vimos jovens, adultos e idosos unidos por um único propósito: cuidar uns dos outros.
Foi, verdadeiramente, uma lição de humanidade.
A todos vós — voluntários, bombeiros, proteção civil, trabalhadores municipais, Juntas de Freguesia, forças de segurança, militares, associações, cidadãos anónimos — deixo aqui, publicamente, o mais profundo, sentido e emocionado agradecimento.
Vocês são o orgulho desta terra.
Vocês são a alma da Marinha Grande.
Vocês são a prova de que, quando tudo falha, é a comunidade que resiste.
E é essa resistência que hoje celebramos.
Mas resistir não é apenas aguentar.
Resistir é agir.
Resistir é exigir.
Resistir é construir o futuro.
E é por isso que, enquanto Presidente da Câmara Municipal, quero assumir aqui um compromisso claro, firme e inabalável:
Não baixaremos os braços.
Não baixaremos os braços na reconstrução das nossas infraestruturas.
Não baixaremos os braços no apoio às famílias afetadas.
Não baixaremos os braços na recuperação da nossa economia local.
Não baixaremos os braços na defesa da nossa floresta.
Mas também não baixaremos os braços na exigência de justiça e de responsabilidade.
Porque é importante dizê-lo, com frontalidade e com sentido de dever: em momentos de grande exigência coletiva, o país tem de responder como um todo. E não pode haver desfasamento entre a urgência das populações e a resposta.
As autarquias estão na linha da frente — e devem estar — mas não podem estar sozinhas nesta missão. Não podemos aceitar que o peso da análise e gestão das candidaturas aos apoios recaia quase exclusivamente sobre as autarquias.
As câmaras municipais estão próximas das pessoas — e devem estar. Mas o Estado central não pode demitir-se das suas responsabilidades. As populações precisam de respostas rápidas, claras e eficazes. Precisam de sentir que o país está com elas.
E nós estaremos sempre — sempre — ao lado das nossas populações. Mas exigiremos, com a mesma determinação, que todos os níveis de poder façam a sua parte.
Porque servir as pessoas não é uma opção. É um dever.
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Celebramos em abril também os 50 anos da Constituição da República Portuguesa.
Cinquenta anos de um documento que é muito mais do que um texto jurídico. É o reflexo de um sonho coletivo. É o garante dos nossos direitos, das nossas liberdades, das nossas garantias. É a base da nossa democracia.
Recordamos hoje os constituintes — homens e mulheres que, vindos de diferentes caminhos e visões, foram capazes de construir um pacto fundamental para o país. Um pacto assente na dignidade humana, na justiça social, na igualdade de oportunidades.
A Constituição ensinou-nos que a democracia não é apenas votar. É participar. É incluir. É proteger os mais vulneráveis. É garantir que ninguém fica para trás.
E essa responsabilidade atravessa gerações.
Aos jovens da Marinha Grande, quero dirigir uma palavra muito especial.
Vocês são herdeiros de Abril. Mas, mais do que isso, são os seus continuadores. A democracia precisa da vossa voz, da vossa energia, da vossa capacidade de questionar e de transformar.
A vossa ação é determinante para construir comunidades melhores, mais justas e mais humanas.
O futuro desta terra também vos pertence.
E é a pensar nesse futuro que trabalhamos todos os dias.
Assumimos compromissos claros com a população — e estamos determinados em cumpri-los.
Vamos avançar com a construção da piscina municipal — um projeto há muito aguardado, que responde a uma necessidade real e sentida da nossa comunidade.
Vamos investir na requalificação das nossas escolas, porque acreditamos que a educação é o pilar fundamental de qualquer sociedade desenvolvida.
Vamos requalificar infraestruturas essenciais, melhorando as condições de vida das pessoas e a qualidade dos serviços públicos.
Vamos continuar a requalificar os nossos espaços públicos, as nossas rotundas, os nossos acessos — tornando o concelho mais seguro, mais organizado e mais acolhedor.
E enfrentaremos, com coragem, um dos maiores desafios do nosso tempo: a recuperação do Pinhal do Rei.
Não será um caminho fácil. Exigirá tempo, investimento, conhecimento e persistência. Mas não temos medo. Porque sabemos que aquilo que está em causa não é apenas uma floresta — é a nossa história, a nossa identidade, o nosso futuro.
E a Marinha Grande nunca virou costas aos seus desafios.
Nunca!.
Marinhenses
Abril ensinou-nos que a liberdade conquista-se. Que a democracia constrói-se. Que o futuro faz-se com coragem.
A tempestade ensinou-nos que a união salva. Que a solidariedade cura. Que a resiliência transforma.
Hoje, juntamos essas duas lições.
E dizemos, com toda a força: estamos aqui. Ardemos…
Abanámos, mas não caímos. Estamos de pé. Estamos juntos.
E juntos vamos reconstruir o que foi destruído.
Juntos vamos honrar o passado. Juntos vamos construir o futuro.
Com coragem. Com responsabilidade. Com esperança.
Porque esta terra tem história. Tem identidade.
E tem, acima de tudo, um povo extraordinário.
Um povo que não desiste. Um povo que não se rende. Um povo que nunca baixa os braços.
Viva o 25 de abril!
Viva a Liberdade!
Viva a Marinha Grande!
Viva Portugal!"
Paulo Vicente
Praça Guilherme Stephens - Marinha Grande
25 de abril de 2026
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