MARINHA GRANDE TEM PROJETO PILOTO DE CAPACITAÇÃO DA COMUNIDADE CIGANA
O Município da Marinha Grande está a desenvolver um projeto piloto de capacitação dirigido à comunidade cigana, com o objetivo de promover uma integração responsável, digna e sustentável.
O projeto acompanha 32 pessoas, das quais 17 são crianças, pertencentes a sete agregados familiares de etnia cigana, num trabalho que envolve educação, saúde, ação social, emprego e cidadania, com o objetivo de capacitar crianças, jovens e adultos.
Após a passagem da tempestade Kristin, que as deixou desalojadas, as famílias foram instaladas temporariamente em 16 contentores habitacionais (8 adquiridos pelo Município e os restantes pela Cruz Vermelha Portuguesa), num terreno municipal, na Garcia.
Para dar a conhecer o trabalho que tem sido realizado, desde há cerca de dois meses, decorreu ontem, 14 de abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, uma reunião que contou com a presença do presidente da Câmara, Paulo Vicente; da presidente da Assembleia Municipal, Catarina Sarmento e Castro; da vereadora da ação social, Carla Santana; dos presidentes das Juntas de Freguesia da Marinha Grande e da Moita, Isabel Freitas e Franklin Ventura, respetivamente; dos representantes das bancadas da Assembleia Municipal do PS (Ana Carlos), do +MPM (Sofia Carneirinho) e do Chega (Paulo Dias); do Centro Distrital de Segurança Social de Leiria, representado por Elisabete Moita; bem como da Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara e das técnicas municipais da área da ação social.
O presidente da Câmara Municipal, Paulo Vicente, mostrou-se “muito orgulhoso do trabalho da Divisão da Ação Social (DAS) e acredito que este projeto vai ser um sucesso”. Frisou que o trabalho assenta na responsabilização desta comunidade: “têm de ter consciência de que têm de cumprir regras. Isto tem custos sociais, mas também nos educa enquanto sociedade”.
O autarca destacou ainda que “estamos a dar uma oportunidade para que estas famílias socializem e se integrem, através do envolvimento de diversas entidades”.
A vereadora da ação social, Carla Santana, explicou que “é uma situação que exige o envolvimento de todos. O que queremos é que estas famílias sejam integradas na sociedade e que saiam deste espaço.”
“Permitir que estas crianças sonhem”
A representante da Segurança Social, Elisabete Moita, elogiou a coragem da autarquia, declarando que “o mais importante é que estamos a permitir que estas crianças sonhem. O que está a ser feito na Marinha Grande nunca se fez. Isto vai ter um efeito multiplicador. Estamos a a falar de incutir regras e isso é um momento de viragem.”
A presidente da Assembleia Municipal da Marinha Grande, Catarina Sarmento e Castro, destacou a importância do envolvimento das várias entidades no processo e o respeito demonstrado pela comunidade cigana para com o Município. “Se conseguirmos chamar até nós estas crianças, poderão servir de modelo para os outros.”, admitiu.
Os restantes representantes políticos manifestaram esperança e deram apoio ao projeto, defendendo a inclusão da comunidade, a importância de explicar este trabalho à população e as experiências de proximidade que podem ser fomentadas nas freguesias.
Trabalho desafiante
A chefe da DAS, Ana Laura Baridó, informou que o Município apresentou uma candidatura à AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, para a elaboração e concretização do Plano Local para Integração da Comunidade Cigana, com horizonte temporal até 2029. O trabalho já está no terreno, com o envolvimento da AIMA, mesmo enquanto se aguarda a decisão sobre a candidatura e o reforço de recursos.
“O nosso objetivo é capacitar estas pessoas para que, no futuro, possam viver numa habitação social. O foco são as crianças, mas trabalhamos também com os pais, para incutir conceitos como limites e rotinas”, explicou. A responsável acrescentou que “não vamos ser assistencialistas, porque a autonomia destas pessoas é fundamental para o sucesso do projeto”.
A permanência da comunidade cigana no Bairro das Lagoinhas, na Garcia, pressupõe o cumprimento de regras, como a frequência escolar, higiene, conservação do espaço e boas práticas de convivência, entre outras, sob pena de serem obrigados a abandonar o local.
Uma das técnicas de serviço social da Câmara Municipal, que tem acompanhado a comunidade cigana, Mónica Faria, salientou que “estas famílias não tiveram modelos nem hábitos estruturados, como tomar banho diariamente, tomar o pequeno-almoço ou levar as crianças à escola. Por isso, é necessária uma grande resiliência.” Lembrou que “este é um caminho difícil e lento, mas transformador”.
Para saber mais: