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Turismo Marinha Grande
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Penedo da Saudade

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As arribas rochosas, onde se destaca o lendário Penedo da Saudade, conferem características peculiares às praias situadas entre a Praia Velha e São Pedro de Moel. Aqui proliferam as flores “saudades”, distribuem-se vários penedos de diferentes envergaduras, formando no seu conjunto uma planície de abrasão marítima (com 30 a 40m acima do nível do mar) que protege as áreas mais elevadas, dissipando a energia criada pelas ondas e tempestades.

O acesso à praia, impossível em época de marés vivas, torna-se em períodos de marés baixas ou durante o verão, num passeio obrigatório para aqueles a quem a beleza natural e o antagonismo de uma mesma paisagem não é indiferente. É nestas alturas – quando o oceano o permite – que se pode contemplar uma magnífica variedade de fauna e flora marinhas, típicas de praias rochosas, dispostas em andares específicos. Os mexilhões, os bancos de percebes e as lapas, situam-se na região entre marés. Na secção inferior desta zona, e frequentemente associadas a poças de maré, observam-se frequentemente caranguejos, ouriços, estrelas-do-mar, gastrópodes, entre uma grande variedade de algas castanhas e vermelhas que não resistem a elevados níveis de dessecação.

Lenda do Penedo da Saudade

Os marqueses de Vila Real foram donos de Moher, hoje denominado São Pedro de Moel (…). O Duque de Caminha, D. Miguel Luís de Menezes, filho do Marquês de Vila Real, vivia feliz em Moher com a sua jovem esposa, a Duquesa D. Juliana Máxima de Faro, filha dos Condes de Faro. Num dos seus passeios a cavalo, nas arribas junto ao mar, pararam os dois sobre o promontório. Como estavam muito enamorados, ali fizeram as suas juras de amor eterno e expressaram o seu carinho.

Naquele local, misturadas com o mato nasciam pequenas e belas flores cor-de-rosa, eram tão raras que só se encontravam naquele sítio, e o duque gostava de oferecer raminhos destas flores à sua esposa. (…) Para eles este sítio era maravilhoso, um verdadeiro paraíso.Tiveram de regressar a Lisboa.

“Tinha-se dado a Restauração de Portugal e era nosso rei D. João IV. O título de duque de Caminha tinha sido dado a D. Miguel pelo Rei Filipe II e D. João IV tinha-lho confirmado em 1641. O pai do duque, o marquês de Vila Real, a quem o rei D. João IV tinha (…) concedido o lugar de Conselheiro de Estado, não estava satisfeito e começou, junto com outros, a conspirar contra o rei. Fez então uma reunião (…) e pediu ao filho que estivesse presente. O filho participou nesta reunião para dissuadir o pai das intenções que este tinha contra o rei.

No dia seguinte, o rei já sabia de tudo e mandou prender todos os participantes nessa reunião. A duquesa bem pediu ao rei que perdoasse o seu marido, mas este não lhe concedeu o perdão. Foi-lhe sentenciada (…) a morte.

No dia a seguir à execução do duque, a duquesa veio para a praia de Moher, pois só ali podia recordar os mais belos momentos da sua vida. Decidiu nesse momento, ir passear para aquele penedo sempre que o tempo lho permitisse. Ali estavam em seu redor as belas flores rosas e perfumadas que o seu amado lhe oferecia.

A estas flores a duquesa deu o nome de Saudades, e ao local o nome de Penedo da Saudade.”
(in Cheiros e Sabores das Nossas Terras – Projeto 4 cidades)

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