SESSÃO SOBRE O MUSEU DO VIDRO DESTACOU TRABALHO DE SALVAGUARDA DO ACERVO E DESAFIOS PARA O FUTURO
O Município da Marinha Grande promoveu, no dia 19 de setembro, no Foyer do Teatro Stephens e Museu do Vidro, a sessão pública “Reviver, Resistir e Reinventar – Museu do Vidro depois da Tempestade Kristin…”, integrada nas Jornadas Europeias do Património 2026.
A iniciativa deu a conhecer os danos provocados pela Tempestade Kristin, as ações desenvolvidas para resgatar e salvaguardar o acervo museológico e os principais desafios que se colocam à recuperação e valorização futura do Museu do Vidro.
O vereador da Câmara Municipal, Sérgio Silva, destacou a importância histórica, económica, cultural, científica e social do vidro para a identidade do concelho, sublinhando que o Museu deve ajudar a compreender a formação e o desenvolvimento da Marinha Grande. Referindo-se à riqueza e às múltiplas dimensões deste património, o vereador afirmou que “este museu e o vidro são um cristal enorme que nós temos”.
Sérgio Silva valorizou igualmente o contributo dos historiadores e investigadores para a recuperação da memória coletiva e para o conhecimento do território, declarando: “Nós temos muito para resgatar, temos muito para dizer, temos muito para valorizar e mostrar aos outros. A Marinha Grande é mesmo muito grande, nem toda a gente ainda percebeu. Nós estamos cá a trabalhar para que isso venha a ser conhecido”.
A sessão contou com as intervenções do professor Jorge Custódio e da técnica Tânia Rosa, que apresentaram perspetivas complementares sobre o impacto da tempestade, o trabalho realizado desde então e a necessidade de repensar o futuro deste equipamento cultural.
Tânia Rosa apresentou os danos causados pela Tempestade Kristin no Museu do Vidro, mostrando os efeitos sobre o edifício, as coleções de vidro, a maquinaria, as ferramentas, os instrumentos e o arquivo documental. Entre março e o início de setembro, foram reembalados e registados 4.860 bens, higienizados 1.008 bens e utilizadas 330 caixas para o seu acondicionamento. No âmbito da preservação do arquivo documental, iniciará em breve uma intervenção em cerca de 200 paletes e 3.000 metros lineares de documentação.
Ao longo do processo o Museu do Vidro contou com a colaboração de várias entidades externas, nomeadamente de conservadores restauradores do Museu da Assembleia da República, voluntários da Brigada de Intervenção Rápida do Fórum de Conservadores Restauradores, bem como de alunos da licenciatura em Arqueologia da Faculdade de Ciências Sociais e da licenciatura em Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia, ambas da Universidade Nova de Lisboa.
O investimento nas ações de salvaguarda, resgate, higienização e tratamento apresentadas ascendeu a 338 mil euros.
Na sua intervenção, o professor Jorge Custódio salientou que o objetivo passa pela afirmação do Museu do Vidro como uma instituição de referência nacional e internacional, sustentada pela história, identidade e importância da indústria vidreira da Marinha Grande.
Entre as propostas apresentadas estiveram a criação de uma oficina de fabrico de vidro ao vivo bem como um centro de investigação associados ao Museu do Vidro, e o desenvolvimento de um sistema integrado que articule os diferentes núcleos e estruturas relacionados com a história e a cultura vidreiras. Jorge Custódio salientou a importância da criação de novas reservas para as coleções, com dimensão e condições adequadas para acolher vidros, máquinas, aparelhos, estruturas, ferramentas, moldes, instrumentos de medida, acessórios e outros utensílios que integram o acervo.
Outro dos desafios identificados foi a elaboração de um programa museológico, considerado essencial para definir a missão, a organização e as condições de funcionamento do Museu do Vidro, assim como para preparar uma futura candidatura à integração na Rede Portuguesa de Museus. O historiador defendeu, igualmente, a concretização de um inventário digital completo, encontrando-se em fase final o procedimento de aquisição do software necessário para implementar o mesmo.
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